
O objectivo último é a Europa.
O euro e, a seguir, a própria União Europeia.
É preciso ser cego para ainda não o ter percebido.
Dois dias úteis depois de o Governo mostrar o seu programa na Assembleia da República e anunciar que ia agir mais além e mais depressa nos sacrifícios pedidos aos portugueses e impostos pela troika, a agência de notação de crédito Moody's desceu a classificação da dívida pública portuguesa para o nível de "lixo".
Fê-lo numa terça-feira ao final da tarde, mesmo a tempo de tentar agravar as condições de financiamento do leilão do dia seguinte, onde Portugal ia negociar novo empréstimo intercalar de mil milhões.
Foi a quinta vez, no prazo de um ano, que a Moody's nos atacou e quatro delas na véspera de um leilão da dívida portuguesa.
Obviamente que não é por acaso: é de propósito.
Para aqueles que, ainda há pouco tempo,
acolhiam com mal-disfarçada satisfação as notícias dos sucessivos downgradings que as agências nos aplicavam, vendo nisso mais um sinal da má governação de José Sócrates e Teixeira dos Santos;
Para aqueles que sustentavam que nada do que aconteceu na cena internacional justificavam as dificuldades das contas públicas;
Para aqueles que achavam que para diminuir a despesa pública bastava fechar algumas dezenas ou centenas de organismos do Estado, desaparecendo também por magia os seus funcionários e respectivos custos;
Para aqueles que asseguravam que era preciso pedir mais sacrificios aos portugueses do que os que já constavam do PEC3, aprovado em 2010;
Para aqueles que imaginaram que o pedido de ajuda externa tudo resolveria, eis uma amarga lição.
Mal apresentaram o programa, mal se apresentaram em Bruxelas e à troika. mal começaram a governar, e vem de lá a Moody's e diz o que pensa sobre os esforços do novo governo: "LIXO".
Excerto de texto de Miguel Sousa Tavares, 09/7/2011.
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