quarta-feira, 19 de agosto de 2009

As perguntas venenosas de Cavaco


Cavaco silva suspeita que o governo o está a vigiar.
Apesar de formuladas com um ponto de interrogação, para permitir o recuo estratégico, há suspeitas que valem tanto como acusações.
Estamos perante um caso destes.
Foi por isso que ontem (18.Ago.09) se esperou o dia inteiro pelo desmentido da Presidência da República.
Não chegou.
O murro foi dado, a mão escondida, mas o rasto está lá e segue direitinho até ao Palácio de Belém.

O silêncio do Presidente não o iliba; pelo contrário: responsabiliza-o por inteiro.
Ou foi ele, Cavaco, quem orquestrou a notícia ou então não quis distanciar-se dela, o que vai dar ao mesmo
.

O espanto é por isso geral: será possível que Cavaco subscreva as perguntas assassinas do membro da Casa Civil que falou com o "Público"?
Será possível que Cavaco tenha enviado um recado tão destrutivo através de uma fonte anónima?
Será possível que Cavaco estilhace, subitamente, o formalismo obrigatório nas relações institucionais entre a Presidência da República e o Palácio de S. Bento?
Será possível que um político tão experiente como Cavaco permita que um seu subordinado fale sem autorização aos jornais, ainda por cima de um assunto tão delicado e grave?
Será possível que Cavaco use um testa-de-ferro para formular suspeitas sem avançar qualquer prova material de que o governo está, de facto, a escutá-lo?
Será possível que Cavaco não entenda a fragilidade dos argumentos usados pelo membro da sua Casa Civil?
Será possível que Cavaco ignore os seus constantes apelos ao respeito pela justiça e faça o que tantas vezes tem condenado?
Será possível que Cavaco não tenha percebido que há dúvidas que, a serem colocados, só o podem ser sem disfarces?
Será possível que Cavaco não saiba que, a fazer como fez, só desvalorizou uma suspeita (as escutas do governo) que é legítimo formular desde que sustentada e assumidamente?

Por último: será possível que Cavaco não entenda que, assim, só ajuda Sócrates a vitimizar-se?
Finalmente: Cavaco quer ser árbitro ou jogador, presidente ou primeiro-ministro?

por André Macedo, Publicado in Jornal "i" em 19 de Agosto de 2009

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A escolha inevitável

As eleições estão aí.
Cada vez mais me convenço que a renovação da maioria absoluta do PS é possivel.
Porque o País precisa de um Governo forte e determinado.
Porque o País precisa de um Governo que não se deixe condicionar por interesses corporativos indevidamente instalados, em detrimento do interesse geral.
Porque o País precisa de um Governo com um rumo claro, visão de futuro e capacidade de acção.
Os portugueses sabem disso.

O PSD é cada vez menos uma alternativa.
Enredado, como sempre, em lutas intestinas de partilha do poder, não lhe sobra, sequer, tempo para alinhar algumas, algumas que fosse, ideias ou propostas que faça os portugueses equacionarem a sua opção.
E os portugueses não gostam de dar tiros no escuro.
E muito menos quando os exemplos passados de má governação, falta de rumo, trapalhadas e compadrios, com os mesmos protagonistas, são as únicas referências que restam.

O PCP continua, coerentemente, mais do mesmo.
Mesmo para um eventual cenário de coligação com o PS, essa possibilidade é um susto:
"o país não pode dar-se ao luxo de ter no Governo quem lute ainda hoje pela nacionalização da Banca e de empresas consideradas estratégicas, como a Galp, a EDP ou a PT".

Do BE, partido da graçola fútil e da irresponsabilidade demagógica, nada há a esperar.
Responsabilidade e compromisso não estão no seu ADN, como é notório e evidente.
Qualquer veleidade de colocar o BE na area governativa é pura fantasia.
"Acresce que o BE deixaria de ter graça e perderia a hipótese de usar diariamente a demagogia.
Ou seja: daria um passo em direcção ao abismo".

O CDS/PP é o Portas, ponto final.

Estou cada vez mais convencido que a renovação da maioria absoluta do PS é possivel e extraordinariamente necessária.

Os portugueses querem, e precisam, de quem lhes indique o rumo a seguir e lute por ele com determinação.
Nos momentos difíceis é no PS que os portugueses confiam.
E vão confiar.

PSD e Presidência, dois em um

O que fica claro da noticia do "Publico" sobre insinuadas vigias na PR, é que os acessores de S.Exa. estão ao serviço do PSD enquanto são pagos por todos nós.
O que os senhores põem em causa é a forma como se soube mas não o que se soube.
Porque, pelos vistos, o que se soube corresponde à verdade.

Quanto à forma como se soube, o "Publico", indevidamente, como é hábito, prefere realçar, e de que maneira, a hipótese de vigias ilegais, qual watergate à portuguesa.
Não admira que José Manuel Fernandes tenha visto o seu salário reduzido para metade.
É que o Belmiro só paga bem a quem o merece...

Poderia o "Publico" ter escolhido a segunda hipótese: a de fuga de informação.
Mas, isso, só viria realçar o clima de contestação interna do PSD.
Assim como muitas figuras gradas do PSD têm vindo a publico num crescendo de contestação, quem se admirará que o mesmo não acontecerá no núcleo da própria presidência ?
Há muita gente incomodada com a evolução preocupante dos desvios éticos da politica de Ferreira Leite/Cavaco.
Há muita gente no PSD à espera de um pequeno desaire eleitoral para tirar o tapete a MFL.
E a melhor forma é a da fuga cirurgica de informação capaz de criar um clima de paranóia e desnorte que à vista do comum cidadão prefigure a fragilidade das suas propostas e convicções, que tardando, vai deixando, cada vez mais, a sensação de um total vazio de ideias.

Daqui, parece-me claro, que há quem, no Palácio de Belém, esteja interessado em dar força aos opositores da dupla Cavaco/Ferreira Leite.
Só pode...

Esta noticia é demasiado grave para que não seja exaustivamente esclarecida.
Por representar uma actuação torpe e profundamente nefasta no quadro da desejável, embora, inexistente, independência da PR em plena pre-campanha eleitoral.
Esta talvez seja uma das necessidades de que falava S.Exa. para quebrar o silêncio.

Não atribuo relevância especial ao facto de acessores de S.Exa. colaborem na feitura do programa do PSD.
Se S.Exa., ele próprio, não se coibe de dar, sistematicamente, uma mãozinha ao seu PSD, porque não os seus acessores ?

Cavaco, Presidente, que deveria ser de todos os portugueses, de facto, não é.
Cavaco, Presidente, que deveria ser o polo aglutinador de toda a sociedade, de facto, não é.
E não é, não tem sido, porque procura o conflito institucional.
E não é, não tem sido, porque procura influenciar, indevidamente, de forma inviezada, a governação a cargo de quem democraticamente foi eleito para a exercer, segundo o seu próprio programa e não pela vontade de quem quer que seja.

Se os portugueses quizessem Cavaco para governar não teriam votado Sócrates.
Cada macaco no seu galho...

Com o seu ar hirto e desumanizado.
De sorriso plástico e cinzento.
Pensará que os portugueses não reparam nas suas subtilezas inconfessáveis.
Mas reparam.

Repararam que S.Exa. quiz forçar o conflito constitucional com o governo quando, em relação ao Estatuto dos Açores, podendo, e devendo, fazer baixar o diploma para verificação da constitucionalidade, já que tinha dúvidas, preferiu aprová-lo, contra sua vontade, e por imposição de TODOS os partidos, que não só do PS, para à posteriori vir a ser reprovado em algum do seu articulado.
A presidência não é para fomentar o conflito, é para o desincentivá-lo.
Mas S.Exa. gosta muito de caldinhos...

Repararam que S.Exa. quiz malevolamento ironizar com a questão da quantidade de legislação de final de mandato para aprovação, referindo que davam para encher um gipe, um exagero, quiz induzir.
Quando se sabe que se houve governo que mais produziu legislação em fim de mandato, que encheria, não um, mas dois gipes, foi o seu próprio governo, que dizer desta tão hipócrita graçola ?
É que S.Exa. gosta muito de caldinhos...

Repararam que S.Exa. gosta muito de referir o perigo do "monstro" da despesa pública como obra deste governo, esquecendo-se, deliberadamente, que foi ele, o seu governo e os do PSD, que maior "monstro" criaram.
Poderá estar arrependido do feito sublime que protagonizou, mas, ninguém o livra do cognome de Cavaco "o pai do monstro".
Não é sério querer empurrar o cognome para quem, ao contrário, foi o governo que em menos contribuiu para o aumento da despesa publica, mesmo considerando a grave situação de crise.
Pois, é que S.Exa. gosta muito, mesmo muito, de caldinhos...

Os partidos vão concorrer às eleições.
Com os seus programas.
Com as suas propostas.
Mas, também, com as provas dadas na condução da coisa pública.
Os portugueses decidirão.

domingo, 16 de agosto de 2009

Qual, então, o critério da líder do PSD?


A incompreensível imposição do nome de António Preto nas listas do PSD é um mau prenúncio. «Não fui a única que o incluiu como arguido.
Isso é um aspecto fundamental», argumenta agora Ferreira Leite.

Acontece que Preto já não é apenas arguido, está pronunciado judicialmente e tem julgamento marcado – o que é uma diferença substancial, ou, por outras palavras, um aspecto fundamental.
Não deixa, por outro lado, de ser irónico ver a líder do PSD a invocar as escolhas de deputados de Santana Lopes em 2005 para se justificar.
Quem diria...

António Preto «não está acusado de nada no exercício de funções públicas», alega ainda Ferreira Leite.
Tem a certeza?
Terá sido no exercício de funções partidárias?
E Helena Lopes da Costa, outra das suas protegidas pessoais, não está acusada de ilegalidades no exercício de funções públicas?
Qual, então, o critério da líder do PSD?
Varia, de acordo com as conveniências?
Ou, simplesmente, nenhum?


Ferreira Leite acrescenta: «São casos de natureza privada sobre os quais eu não tenho de me pronunciar» (nem a simulação de um braço engessado a que Preto recorreu, para evitar uma perícia caligráfica na PJ, faz tinir uma qualquer campainha na cabeça da presidente do PSD?).
E conclui: «Eu não tenho o direito de me antecipar à decisão da Justiça, dando a minha própria sentença».
Ora, o que se lhe pede nestes casos é um juízo político sobre os candidatos do seu partido, não uma sentença judicial.
Confundir esses dois planos distintos só interessa a quem quer baralhar o problema.

Já se percebeu que se fosse Manuela Ferreira Leite a líder do PSD em 2005, e não Marques Mendes, ainda hoje teríamos figuras tão gradas como Isaltino ou Valentim em posição destacada nas listas laranja.
É tudo uma questão de perspectiva: da ética e da política.

(JAL in "SOL" de 14.ago.09)

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Reforço do Estado Social

A direita insiste no recuo do Estado Social, para a condição de Estado mínimo ou, como dizem agora, Estado "imprescindível".
Nada que não tenhamos já visto antes: lembramo-nos bem de que estes mesmos protagonistas foram responsáveis por um forte desinvestimento nas políticas sociais quando estavam no Governo.
Mas, tendo em conta as propostas apresentadas pela direita ao longo desta legislatura, a ambição que agora se desenha é outra: privatização parcial da segurança social, fim da tendencial gratuitidade do Serviço Nacional de Saúde e pagamento dos próprios serviços de saúde pelas classes médias, privatização de serviços públicos fora das áreas de soberania.

A proposta do PS, por seu turno, é bem diferente: reforço das políticas sociais, qualificação e modernização dos serviços públicos, investimento no combate à pobreza e na redução das desigualdades.

E os portugueses sabem que esta proposta do PS dá seguimento aquela que foi a sua prática no Governo: criámos o complemento solidário que já beneficia mais de 200 mil idosos, criámos a rede de cuidados continuados, reforçámos o investimento nos equipamentos sociais, criámos o abono pré-natal, aumentámos o abono de família, alargámos a acção social escolar, aumentámos o salário mínimo.

Para a próxima legislatura, propomo-nos reforçar ainda mais as políticas sociais, de modo a enfrentar os novos desafios do Estado Social.

Primeiro, o apoio à natalidade, à infância e à família: somaremos às medidas em curso a nova Conta Poupança Futuro, em que o Estado deposita 200 Euros, por ocasião do nascimento de qualquer criança, e concede benefícios fiscais para incentivar a poupança, sendo que o saldo poderá depois ser utilizado pelo jovem para financiar os seus estudos ou projectos profissionais.

Segundo, o combate à pobreza e às desigualdades: criaremos um novo mecanismo de ajuda ao rendimento das famílias trabalhadoras com filhos a cargo e das pessoas com deficiência, em termos semelhantes ao Complemento Solidário para Idosos, de forma a garantir um rendimento acima do limiar da pobreza.

Terceiro, o apoio à qualificação e inserção profissional dos jovens: apoiaremos a escolaridade até ao 12º ano através da nova bolsa de estudos para estudantes do ensino secundário e criaremos novos programas INOV, incluindo o INOV-Social, bem como um programa especial de cinco mil estágios na administração pública.

Quarto, a qualificação do Serviço Nacional de Saúde: anteciparemos para 2013 as metas de expansão da rede de cuidados continuados para idosos e dependentes previstas para 2016 e alargaremos a todo o território nacional a experiência de sucesso das Unidades de Saúde Familiar, de modo a prosseguir o objectivo de garantir a todos os portugueses o acesso a médico de família.

Eis apenas algumas propostas concretas do nosso programa de reforço das políticas sociais, que é fundamental para fazer face a necessidades reais do País.
É este caminho, de reforço do Estado Social, que devemos seguir.

E é este caminho que também se decide nas próximas eleições legislativas.
Porventura é mesmo essa a questão decisiva destas eleições: rasgar as políticas sociais, ou reforço do Estado social.
Uma vez mais: ou o PS ou a direita.

E que não haja ilusões: para Portugal, a alternativa real é entre o PS ser chamado de novo a formar Governo ou regressar a um Governo de direita.
Por isso, os que querem um PS fraco e vencido, digam o que disserem, preferem de facto a direita no poder.

Mas nesta escolha decisiva que está diante dos portugueses, o PS está, creio, do lado certo, que é também o lado da acção e do futuro: propõe uma atitude de iniciativa, preconiza o investimento público para a modernização do País e defende o Estado Social para reduzir as desigualdades e promover oportunidades para todos.

Neste momento de crise mundial, os Portugueses precisam de um Governo competente, com um rumo claro, uma agenda conhecida e condições de coerência e estabilidade.

Os portugueses sabem que sempre puderam contar com o PS nos momentos difíceis.
Nós não somos daquela esquerda que se limita a protestar, dispensando-se da maçada de contribuir para a solução de qualquer problema.

Estamos bem conscientes de que a nossa responsabilidade é realizar as políticas públicas necessárias para responder aos problemas e às necessidades das pessoas.
E é isso que queremos continuar a fazer, com toda a energia e com toda a determinação, com base num novo compromisso.
Com confiança nos portugueses e com confiança no futuro.

Escolher uma atitude na governação

Nas próximas eleições legislativas, de 27 de Setembro, os portugueses serão chamados a fazer uma escolha política decisiva.

Trata-se de escolher uma atitude na governação.
Como é manifesto, a atitude que tem marcado o discurso da direita é dominada pelo pessimismo, pela amargura e pela resignação.
Bem vistas as coisas, a direita só fala do futuro para dizer que tem medo do dia de amanhã.
Medo: não apela ao melhor mas ao pior de nós.
A sua mensagem é triste e miserabilista.
Não adianta fazer nada a não ser esperar pacientemente por melhores dias.

Pois eu acho que esta atitude paralisante, herdeira de um certo espírito do salazarismo, faz mal ao País e não nos deixa andar para a frente.
Pelo contrário, acho que o primeiro dever de quem governa é ter uma visão do futuro do País e a determinação de impulsionar as reformas modernizadoras que são necessárias para servir o interesse geral.
Este é o seu dever: mobilizar as energias da sociedade e puxar pela confiança.
Confiança, nunca desistir da confiança.

E atenção: esta não é uma questão menor.
Naturalmente, a superação dos desafios há-de resultar, sobretudo, do dinamismo da sociedade e da iniciativa dos seus agentes económicos.
Mas num momento como este, de dificuldades e tarefas tão exigentes, a atitude de quem governa pode ajudar a fazer a diferença entre o fracasso e o sucesso.

É por isso que digo aos portugueses que há aqui uma opção importante a fazer.
E digo mais: a atitude de pessimismo, de resignação e de paralisia que marca o discurso da direita não serve os interesses do País.
O que os tempos exigem é uma outra atitude na governação: uma atitude de confiança, de determinação e de iniciativa para vencer as dificuldades do presente, prosseguir o movimento de modernização e preparar o futuro País.

Quando o privado falha, o estado tem que investir

Há uma escolha política a fazer sobre o investimento público.
A questão é esta: num contexto de crise económica global e de consequente quebra das exportações, de falta de confiança e adiamento de projectos por parte dos investidores privados, de dificuldades no acesso ao crédito, de menor procura pelos consumidores, que factor pode contribuir para relançar a economia, salvar muitas empresas e promover o emprego?

Desde a célebre Grande Depressão, que se seguiu à crise de 1929, todos os economistas que resistem à cegueira ideológica sabem a resposta: o investimento público.
Por isso, a generalidade dos países europeus e das economias desenvolvidas, incluindo os Estados Unidos da América de Obama, decidiram enfrentar a crise lançando programas de reforço do investimento público.

Foi o que fizemos aqui também, com investimentos selectivos e destinados a impulsionar a modernização do País, de num modo geral antecipando apenas o calendário de projectos já anteriormente decididos e privilegiando os investimentos de mais rápida execução: modernização das escolas, equipamentos sociais e de saúde, energia, redes de nova geração.

A nossa direita, pelo contrário, ao arrepio do que se vê pelo Mundo fora, permanece apegada aos seus preconceitos ideológicos e acha que o Estado não deve fazer tanto para ajudar a economia a vencer a crise e para salvaguardar o emprego.
A sua proposta é, por isso, simples e recorrente: cortar no investimento público. Mas esta é também uma proposta errada.
É preciso dizê-lo de forma clara: cortar no investimento público modernizador, como propõe a direita, seria um grave erro estratégico, que prejudicaria seriamente o relançamento da economia, atiraria muito mais empresas para a falência e bloquearia a recuperação do emprego.

E mais: Portugal não pode estar constantemente a regressar à estaca zero na discussão dos seus projectos de investimento.
Não pode estar cinquenta anos para decidir uma barragem, quarenta anos para decidir um aeroporto e vinte anos para decidir se fica dentro ou fora da rede europeia de alta velocidade, que está já hoje a revolucionar a mobilidade por toda a Europa e na nossa vizinha Espanha
.

Houve um tempo para decidir, este é o tempo de fazer.
A proposta do PS é, por isso, continuar a apostar no investimento público como instrumento fundamental de combate à crise mas também de modernização do País.

sábado, 8 de agosto de 2009

Sócrates e o elogio de José António Saraiva

José António Saraiva, escreveu e eu concordo:

"É indiscutível que Sócrates tem qualidades para ser primeiro-ministro.

Decide com rapidez, é obstinado, corta a direito, mostra uma invejável resistência física e anímica, não teme a mudança, tem carisma.

Além disso é combativo, estuda as questões, fala com clareza e é incisivo, sabe resistir a pressões, tem capacidade de liderança e noção do que é ‘construir poder’.

Ele tem jeito para a função, tem capacidade reformadora, enfrentou a crise com determinação.

Tudo isso é verdade".


A par de todas estas verdades, JAS, como não podia deixar de ser, desenvolve um conjunto de supostas menos-valias de Sócrates.
Menos-valias provenientes exclusivamente da area da ficção, da suposição, da dúvida mais que duvidosa.

JAS teve, assim, a virtude de, claramente, nos evidenciar as reais qualidades de um Sócrates, primeiro-ministro, tão necessárias e fundamentais para a resolução dos problemas do País.
Qualidades essas em nada ofuscadas pelas supostas suposições que alguns, malevolamente, possam supôr.

Se quizermos fazer o mesmo execicio em relação a Ferreira Leite a comparação será abismal.

É indiscutível que Ferreira Leite não tem qualidades para ser primeiro-ministro.

Não decide com rapidez.
Atrazou-se, penosamente, na escolha do Rangel para as Europeias.
Atrazou-se na constituição das listas para as legislativas.
Está, dramáticamente, atrazada na apresentação das suas propostas, do seu programa eleitoral.

Quando o País precisa de "lebres", Ferreira Leite cada vez mais se parece com a "tartaruga".

Não é obstinada nem corta a direito.
Tanto aprova projectos estruturantes para o País como logo a seguir os põe em causa.
Tanto se diz ser a favor da credibilização politica como depois inclui arguidos nas suas listas.
Tanto diz que rasga como, de imediato, vem dizer que afinal já não rasga nada.

Quando o País precisa de determinação, Ferreira Leite cada vez mais se parece com uma catatua.

Não mostra nenhuma resistência física nem anímica.
Qualquer pequena gripe é motivo para adiar agenda e compromissos assumidos.
Perante uma prevista presença incómoda na festarola do Jardim, rei-tirano da Madeira,
não compareceu, alegadamente por causa da abençoada e conveniente gripe, demonstrando total falta de resistência anímica para se confrontar com situações menos simpáticas e confrangedoras.

Quando o País precisa de força e resistência, Ferreira Leite cada vez mais se parece com a minha avó Demetilde dos tempos do cházinho e das papas de linhaça.

Teme a mudança.
Teme a mudança quando recusa apoio às reformas estruturais.
Rompeu com o acordo para a reforma da justiça.
Foi contra a reforma da segurança social.
É frontalmente contra a encetada reforma da admnistração publica e da educação, por manifesta hipocrisia politica.

Quando o País precisa de mudança e inovação, Ferreira Leite cada vez mais se parece com aqueles velhos do restelo sitacionistas.

Dito isto, deixo a seguinte pergunta a propósito de Sócrates e Ferreira Leite: a qual deles deveremos confiar a recuperação e um futuro do País, que se deseja mais moderno, competitivo e solidário ?

A quem como Sócrates que tem qualidades para ser primeiro-ministro ?

A quem como Sócrates que decide com rapidez, é obstinado, corta a direito, mostra uma invejável resistência física e anímica, não teme a mudança, tem carisma ?

A quem como Sócrates que é combativo, estuda as questões, fala com clareza e é incisivo, sabe resistir a pressões, tem capacidade de liderança e noção do que é ‘construir poder’ ?

A quem como Sócrates que tem jeito para a função, tem capacidade reformadora, enfrentou a crise com determinação ?

Ou a quem como Ferreira Leite que é o seu contrário ?