
A incompreensível imposição do nome de António Preto nas listas do PSD é um mau prenúncio. «Não fui a única que o incluiu como arguido.
Isso é um aspecto fundamental», argumenta agora Ferreira Leite.
Acontece que Preto já não é apenas arguido, está pronunciado judicialmente e tem julgamento marcado – o que é uma diferença substancial, ou, por outras palavras, um aspecto fundamental.
Não deixa, por outro lado, de ser irónico ver a líder do PSD a invocar as escolhas de deputados de Santana Lopes em 2005 para se justificar.
Quem diria...
António Preto «não está acusado de nada no exercício de funções públicas», alega ainda Ferreira Leite.
Tem a certeza?
Terá sido no exercício de funções partidárias?
E Helena Lopes da Costa, outra das suas protegidas pessoais, não está acusada de ilegalidades no exercício de funções públicas?
Qual, então, o critério da líder do PSD?
Varia, de acordo com as conveniências?
Ou, simplesmente, nenhum?
Ferreira Leite acrescenta: «São casos de natureza privada sobre os quais eu não tenho de me pronunciar» (nem a simulação de um braço engessado a que Preto recorreu, para evitar uma perícia caligráfica na PJ, faz tinir uma qualquer campainha na cabeça da presidente do PSD?).
E conclui: «Eu não tenho o direito de me antecipar à decisão da Justiça, dando a minha própria sentença».
Ora, o que se lhe pede nestes casos é um juízo político sobre os candidatos do seu partido, não uma sentença judicial.
Confundir esses dois planos distintos só interessa a quem quer baralhar o problema.
Já se percebeu que se fosse Manuela Ferreira Leite a líder do PSD em 2005, e não Marques Mendes, ainda hoje teríamos figuras tão gradas como Isaltino ou Valentim em posição destacada nas listas laranja.
É tudo uma questão de perspectiva: da ética e da política.
(JAL in "SOL" de 14.ago.09)
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