O que fica claro da noticia do "Publico" sobre insinuadas vigias na PR, é que os acessores de S.Exa. estão ao serviço do PSD enquanto são pagos por todos nós.
O que os senhores põem em causa é a forma como se soube mas não o que se soube.
Porque, pelos vistos, o que se soube corresponde à verdade.
Quanto à forma como se soube, o "Publico", indevidamente, como é hábito, prefere realçar, e de que maneira, a hipótese de vigias ilegais, qual watergate à portuguesa.
Não admira que José Manuel Fernandes tenha visto o seu salário reduzido para metade.
É que o Belmiro só paga bem a quem o merece...
Poderia o "Publico" ter escolhido a segunda hipótese: a de fuga de informação.
Mas, isso, só viria realçar o clima de contestação interna do PSD.
Assim como muitas figuras gradas do PSD têm vindo a publico num crescendo de contestação, quem se admirará que o mesmo não acontecerá no núcleo da própria presidência ?
Há muita gente incomodada com a evolução preocupante dos desvios éticos da politica de Ferreira Leite/Cavaco.
Há muita gente no PSD à espera de um pequeno desaire eleitoral para tirar o tapete a MFL.
E a melhor forma é a da fuga cirurgica de informação capaz de criar um clima de paranóia e desnorte que à vista do comum cidadão prefigure a fragilidade das suas propostas e convicções, que tardando, vai deixando, cada vez mais, a sensação de um total vazio de ideias.
Daqui, parece-me claro, que há quem, no Palácio de Belém, esteja interessado em dar força aos opositores da dupla Cavaco/Ferreira Leite.
Só pode...
Esta noticia é demasiado grave para que não seja exaustivamente esclarecida.
Por representar uma actuação torpe e profundamente nefasta no quadro da desejável, embora, inexistente, independência da PR em plena pre-campanha eleitoral.
Esta talvez seja uma das necessidades de que falava S.Exa. para quebrar o silêncio.
Não atribuo relevância especial ao facto de acessores de S.Exa. colaborem na feitura do programa do PSD.
Se S.Exa., ele próprio, não se coibe de dar, sistematicamente, uma mãozinha ao seu PSD, porque não os seus acessores ?
Cavaco, Presidente, que deveria ser de todos os portugueses, de facto, não é.
Cavaco, Presidente, que deveria ser o polo aglutinador de toda a sociedade, de facto, não é.
E não é, não tem sido, porque procura o conflito institucional.
E não é, não tem sido, porque procura influenciar, indevidamente, de forma inviezada, a governação a cargo de quem democraticamente foi eleito para a exercer, segundo o seu próprio programa e não pela vontade de quem quer que seja.
Se os portugueses quizessem Cavaco para governar não teriam votado Sócrates.
Cada macaco no seu galho...
Com o seu ar hirto e desumanizado.
De sorriso plástico e cinzento.
Pensará que os portugueses não reparam nas suas subtilezas inconfessáveis.
Mas reparam.
Repararam que S.Exa. quiz forçar o conflito constitucional com o governo quando, em relação ao Estatuto dos Açores, podendo, e devendo, fazer baixar o diploma para verificação da constitucionalidade, já que tinha dúvidas, preferiu aprová-lo, contra sua vontade, e por imposição de TODOS os partidos, que não só do PS, para à posteriori vir a ser reprovado em algum do seu articulado.
A presidência não é para fomentar o conflito, é para o desincentivá-lo.
Mas S.Exa. gosta muito de caldinhos...
Repararam que S.Exa. quiz malevolamento ironizar com a questão da quantidade de legislação de final de mandato para aprovação, referindo que davam para encher um gipe, um exagero, quiz induzir.
Quando se sabe que se houve governo que mais produziu legislação em fim de mandato, que encheria, não um, mas dois gipes, foi o seu próprio governo, que dizer desta tão hipócrita graçola ?
É que S.Exa. gosta muito de caldinhos...
Repararam que S.Exa. gosta muito de referir o perigo do "monstro" da despesa pública como obra deste governo, esquecendo-se, deliberadamente, que foi ele, o seu governo e os do PSD, que maior "monstro" criaram.
Poderá estar arrependido do feito sublime que protagonizou, mas, ninguém o livra do cognome de Cavaco "o pai do monstro".
Não é sério querer empurrar o cognome para quem, ao contrário, foi o governo que em menos contribuiu para o aumento da despesa publica, mesmo considerando a grave situação de crise.
Pois, é que S.Exa. gosta muito, mesmo muito, de caldinhos...
Os partidos vão concorrer às eleições.
Com os seus programas.
Com as suas propostas.
Mas, também, com as provas dadas na condução da coisa pública.
Os portugueses decidirão.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
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